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Restauração de pastagem degradada

Google e Embrapa · Pará

De pastagem degradada a cobertura vegetal inicial densa, em doze meses.

Uma restauração de um hectare em um campo experimental da Embrapa Amazônia Oriental, no Pará, conduzida com o Google e a Embrapa. Em doze meses, a MORFO levou pastagem degradada a uma cobertura vegetal densa em estágio inicial. Leia isso como o começo de uma curva de recuperação, não como uma floresta madura.

Bioma
Amazônia
Tamanho
1 ha
Situação
Ciclo 1 encerrado, monitoramento em andamento
A terra no início

Quando a equipe percorreu a parcela pela primeira vez, em abril de 2025, ela se parecia com boa parte da Amazônia degradada: gramínea de pastagem agressiva dominando o terreno, solo exposto em pontos e fragmentos de floresta nativa nas bordas. O laboratório da Embrapa encontrou um solo tipicamente amazônico, ácido, arenoso e de baixa fertilidade natural, o que definiu a estratégia de correção antes de qualquer plantio. Uma condição importa para como o resultado deve ser lido: a parcela fica encostada em floresta madura, o que ajuda as sementes a chegarem por conta própria, então este é um sinal forte em uma única área, e não prova de que a mesma velocidade se transfere para terra isolada sem floresta por perto.

O que a MORFO fez

A MORFO conduziu o hectare como um ciclo completo, da leitura de dados da terra ao monitoramento contínuo, ajustado a uma parcela encostada em floresta madura.

Ler a terra

A MORFO leu o hectare por drone e satélite e combinou isso com a análise de solo da Embrapa, transformando a área em dados e definindo a estratégia de plantio antes da primeira semente.

Corrigir o solo

Guiada pela análise, a MORFO corrigiu e preparou o solo ácido e arenoso, para que o plantio partisse de uma base construída para o local.

Plantar em dois momentos

A MORFO plantou mudas estruturadas de espécies nativas de alto valor, entre elas castanha-do-pará, andiroba, cupuaçu e acapu, uma espécie classificada como Em Perigo pelo CNCFlora, junto com semeadura direta por drone. Uma semeadura posterior reforçou espécies mais lentas e de maior valor sob o dossel que as pioneiras já haviam formado.

Manter e monitorar

Uma equipe local treinada pela MORFO executou cada ciclo de manutenção, com identificação botânica especializada e monitoramento contínuo da área ao longo do tempo.

Drone seeding over the prepared plot at Embrapa Amazônia Oriental, forest edge behind
Como funciona

A cobertura rápida é intencional. Ao fechar o dossel rapidamente com pioneiras, a MORFO constrói um microclima protetor que faz três coisas ao mesmo tempo: permite que as mudas clímax de alto valor sobrevivam, desperta o banco de sementes já presente no solo e recebe sementes trazidas da floresta vizinha pelo vento e pela fauna. A ecologia da restauração chama isso de facilitação, ou efeito de planta-berçário: as pioneiras que hoje dominam a parcela visualmente seguram o solo, suprimem a gramínea invasora e abrigam as árvores clímax que crescem por baixo delas.

Cronologia
  1. Fev a abr de 2025

    Diagnóstico. Análise de solo da Embrapa e leitura por drone e satélite, com a estratégia de plantio definida.

  2. Abr a mai de 2025

    Correção do solo, mudas estruturadas e primeira semeadura aérea.

  3. Jul de 2025

    Primeiro monitoramento aos 30 dias, lendo a sobrevivência das mudas e a germinação inicial.

  4. Out de 2025

    Semeadura de reforço na janela da COP30, com espécies de sucessão tardia.

  5. Abr de 2026Última atualização

    Manutenção seletiva e parcelas permanentes de monitoramento formalizadas, encerrando o ciclo 1.

Resultados

A leitura é honesta quanto ao estágio: este é o começo da curva, e o que importa é a inclinação, não o valor em um dia isolado.

  • O terreno que era pastagem degradada hoje está sob uma cobertura vegetal densa em estágio inicial.
  • Espécies nativas de alto valor estão estabelecidas como o núcleo estrutural da futura floresta, incluindo o acapu, espécie de interesse para conservação.
  • A diversidade está surgindo, incluindo espécies que nunca foram plantadas e chegaram por conta própria da floresta do entorno.
  • A fauna já usa a área, captada por monitoramento acústico, um sinal de uso e de sementes chegando, não uma contagem de população.

As leituras de cobertura e de carbono neste estágio são indicações iniciais, obtidas por sensores, a serem confirmadas por inventário de campo. As parcelas permanentes instaladas aos doze meses são a base dessa calibração, ciclo após ciclo.

Before and after: twelve months of restoration in Belém
Ciência e monitoramento

A área foi construída para ser auditável e replicável: uma parceria científica com a Embrapa Amazônia Oriental, identificação botânica especializada por meio do Flora e Funga do Brasil, do Species Link e do CNCFlora, os painéis de monitoramento da MORFO para cobertura, carbono e diversidade, parcelas permanentes georreferenciadas como base para medição dendrométrica, e IA aplicada à leitura de ortofotos de drone rumo ao inventário automatizado.

A área é lida como regeneração inicial em uma parcela favorável, não como floresta consolidada.

A native shrub in flower on the plot, with an insect on the bud
Parceiros e reconhecimento

Conduzido com o Google e a Embrapa Amazônia Oriental. Entre maio e novembro de 2025 a área foi recebida como uma Forest Experience da COP30, com visitas guiadas para lideranças da comunidade de restauração e clima. Cada ciclo de manutenção foi executado por uma equipe local treinada pela MORFO, gerando empregos diretos na região.

O que vem a seguir
  • Novos ciclos de manutenção com a equipe local.
  • Plantio de enriquecimento sob o dossel das pioneiras, com espécies clímax de alto valor.
  • Uma agenda científica ampliada com a Embrapa, e a evidência construída aqui preparada para replicação em novas áreas.

É aqui que o método se comprova. O próximo passo é repeti-lo em terra sem floresta ao lado.

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